FITOTERAPIA

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CESAR-Carta mediunica extraida do livro "Nós abortamos" de autoria de Nercio Antonio Alves

Meu nome é Cesar. Na minha ultima existência não simpatizava com crianças. Relato que,durante a vida conjugal com Nair, por duas vezes me ví diante da sua gravidez indesejável e,sem considerar a necessidade da maternidade,exigí que ela se livrasse dos intrusos, que tentavam infiltrar-se em nosso lar,tentando,quem sabe, ocupar boa parte do meu tempo,para poder mantê-los, quer na alimentação ou no estudo. A aversão pelas crianças teve inicio quando vi casais sem condição, dando mais atenção e bem estar aos intrusos (filhos) preferindo viver uma vida cheia de privações, com lutas e sacrificios. Portanto, minha atitude, quando da gravidez da minha "cara metade", era violenta, raivosa, porque a minha esposa,com teimosia, insistia em ser mãe e que jamais abandonaria a ideia. Recordo de te-la espancado nas duas vezes que engravidou. No fundo isso me doia porque a amava,porém se eu agia dessa forma era por desobidiencia.Pobre Nair! Nossa vida conjugal foi curta, pois notei que, ,após o segundo aborto praticado pela minha imposição acompanhada de espancamento, Nair parecia desiludida de tudo ,triste e perturbada,porque chamava incessantemente os fetos pelos nomes de Naldo e Nair. Dia após dia, vi-a chorar e sem se alimentar. Com o correr do tempo,estava fraca e dominada por uma anemia profunda entregando-se aos braços da morte.A exaustão organica e mental foi a causa do seu desencarne. Jovem ainda, me vi sozinho, sem alguém ao meu lado.Mas, sem me preocupar com isso,tinha uma vontade enorme de viver e procurei novas companhias para aventuras mais aventuras. O tempo passou rapidamente. A velhice chegou e junto, a enfermidade. Aqueles que eram meus amigos e comigo viveram de aventura e prazer ,desapareceram.Ai sim, encontrei-me sozinho e doente. Chegou o dia do desencarne:mergulhara nas entranhas da terra, acometido por uma parada crdiaca.O vale umbral recolheu meu espírito. O desencarne não foi uma libertação para mim, mas um ingresso num mundo estranho de remorso e perturbação, onde só se ouvia lamentos, ranger de dentes, gritos histéricos e soluçantes,e a escuridão era intensa,não podendo ver quem eram ou o que havia naquele lugar.Só sei que ví cenas patéticas,perseguindo a minha consciencia. Ao debater-me nas trevas, chamava por minha esposa,Nair, porem minhas palavras se timbrava no eco, no vasio... em mistura com outras vozes lamentosas. Quanto tentava descansar, eu recordava Nair,grávida e sendo surrada por mim.Via sua face angelical banhar-se em lágrimas e cada gotícula, que vertia dos seus olhos azuis como o céu, me apresentava a figura de duas crianças e parecia ouvir suas vozes implorando-me:"Piedade!Deixe-me nascer!" Assistia indiferente e frio,a cena macabra das mãos criminosas por mim contratadas,a fazerem o aborto.A dor, que Nair sentia, era intensa, sufocando a sua voz para não gemer, impossibilitando-a de pronunciar uma frase que fosse em seu favor ou em favor da vidas, daquelas indefesas criaturinhas que eram exterminadas. Não aguardava essas visões.Clamei piedade e perdão à querida Nair, mas qual... tudo parecia uma lacuna interminável.Um desespero sem fim , e chorei..... Já cansado, tudo parecia perdido e em vão. De repente, ouvi uma voz terna: - "Cesar, meu esposo querido, não se desespere.Estou junto de você, orando para auxilia-lo e retira-lo desse sofrimento em que se encontra. A sua liberdade total se dará quando reparar os erros que cometeu.Escute:Nunca deixarei de ama-lo,mas,por ora, não poderei permanecer ao seu lado, porque primeiro passará por provas e, nessa expiação, sentirá o mesmo sofrimento que voce fez passar os nossos dois filhinhos.Seras expulso do ventre materno por duas vezes, e a dor e dseequlibrio que experimentarás serão os mesmos que sentiram as nossas crianças.Só que a única diferença é que eles foram expulsos pelo aborto criminoso e você sofrerás as consequencias de um desaranjo intra-uterino de sua futura mãe. Assim sofrerá um aborto natural. A distancia entre nós aumentará a saudade. E, quando estiver, um dia, livre de seus crimes pela imposição do aborto, estarei a sua espera na estrada que nos conduzirá rumo à perfeição. Estarei aguardando-o em uma proxima reencarnação, nos encontraremos e se dará um recomeço de uma vida conjugal. Novamente, aqueles que, no passado, repudiou como seus filhos, voltarão em novas tentativas de reencarnação, para ouvir de seus lábios as doces palavras: "Meus filhos queridos". Acabando de ouvir a revelação, tudo voltou ao silencio. Hoje, trago comigo as marcas do sofrimento, porque já passei as provas das duas expulsões pelo aborto natural, que foram dolorosas e intoleraveis.E, aguardo ansiosamente o dia do novo reencarne, para viver com a querida Nair, com que jamais levantarei a voz ou as mãos para maltrata-la, mas sim, acaricia-la, cuida-la e ama-la com todo o meu coração, e esperar de seu ventre materno os filhos que rejeitei no passado. Esse é o meu desejo! CÉSAR

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